Dossiê Eleições 2026: Augusto Cury
Afinal, Cury é de direita? Uma análise sobre o candidato que se apresenta como outsider e recusa os rótulos tradicionais da política brasileira.
No Brasil, o ano de 2026 é de disputa eleitoral. O OEDLA está lançando uma série de dossiês sobre as figuras da extrema-direita brasileira que disputam protagonismo político e os votos do eleitorado desse espectro. O quinto nome analisado pelo nosso observatório é Augusto Cury.
Graças à visibilidade recebida pelo candidato nas últimas semanas, um debate acerca de suas propostas foi levantado. Afinal, Cury é de direita?
Quem é Augusto Cury?
Em agosto de 2026, o empresário, escritor e psicoterapeuta Augusto Cury anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo partido Avante, legenda de tradição centrista.
Apesar da ausência de uma carreira política tradicional, Cury apresentou-se à disputa eleitoral como um outsider. Ele articulou seu próprio sucesso como escritor de autoajuda — com mais de 40 milhões de exemplares vendidos — para construir uma estratégia política pautada na rejeição à polarização, apostando no centrismo ideológico e num discurso de "pacificação".
A Recusa dos Rótulos: Preocupado em "pacificar a sociedade e proteger a família brasileira", Cury recusa os rótulos tradicionais de "esquerda e direita". Contudo, a tentativa de compatibilizar liberdade econômica e justiça social revela uma distância entre o seu discurso centrista e as orientações práticas de sua agenda política.
O Patrimônio do Candidato
A especificidade da candidatura de Cury não se dá somente pela sua trajetória fora da política. Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o psicoterapeuta declarou um patrimônio de R$ 242.281.162,52, o que o coloca no topo como o candidato com o maior valor de bens declarados entre os competidores da disputa, incluindo fazendas e projetos educacionais multimilionários.
A Teoria da Inteligência Multifocal e a Educação Empreendedora
O desconhecimento do campo político é compensado na candidatura de Cury pela autoridade construída ao longo dos anos com o desenvolvimento de sua Teoria da Inteligência Multifocal. Embora sua fundamentação científica seja questionada por especialistas da área de psicologia, Cury a transformou em uma enorme plataforma de "educação socioemocional".
A orientação ideológica da candidatura fica clara neste ponto:
Os problemas sociais e estruturais brasileiros são sistematicamente deslocados para a esfera das capacidades individuais. O desenvolvimento pessoal e o empreendedorismo são apresentados como os únicos instrumentos reais de transformação social.
A gestão emocional e a educação empreendedora tornam-se elementos centrais de uma concepção que valoriza, quase exclusivamente, a iniciativa individual e a responsabilidade pessoal. Posteriormente, essa base é articulada em defesa irrestrita da liberdade econômica, da meritocracia e da redução da intervenção estatal.
Conclusão
As posições de Augusto Cury podem não se apresentar de forma claramente agressiva no debate público. Mas, partindo de uma análise de profunda atenção às suas bases teóricas e propostas, as violências silenciosas à vida social e às políticas públicas brasileiras se esclarecem.
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